domingo, 14 de agosto de 2016

sem ter para onde voltar
olho para trás
há casa
há lar?
lugar que me compraz?
sem ter para que voltar
olho para frente
há desafio
há caminho
se não no chão
           na minha mente.

terça-feira, 21 de junho de 2016

grande espaço
entre meus braços
e o mundo
que
quase
abarco
pena
que é ilusão
mas ainda sonho em ter
o mundo inteiro
na
palma
da
mão

quarta-feira, 4 de maio de 2016

pelo meu olho:
a bela cadelinha
de rabo de raposa
me olha
debaixo da lua de sete horas
debaixo da lua de sete horas
me olha
de rabo de olho
a bela cadelinha e
sonha ser raposa

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

solidificada,
feita de gelo,
modificada
pela falta de zelo:
uma sofisticada
estátua de marfim.
a dureza no coração permanece,
o corpo-dia anoitece:
ausente tu em mim.

(chega a fingir que é dor, a dor que deveras NÃO sente)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

jogo da ilusão

eu
você
o tabuleiro
e meu coração,
incertezas no ataque
mais um erro
e xeque-mate:
minhas cartas na mesa,
eu na sua mão

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

a resposta:

Meu DeusMeu DeusPor que me abandonaste
(salmos 21:1)

– me tirastes do barro
  e então me abandonaste...

 te fiz de pó
  mas à lama voltastes
  quando Minha voz
  não mais escutastes
  e agora Me acusas
  e te considera a sós
  quando em verdade
  desprezastes o Nós
  e se afundastes em vaidade
  e agora, em culpa,
  consideras muito tarde.
  retoma teu caminho
  e encontrarás a felicidade


se olhares demasiado tempo dentro de um abismo, o abismo acabará por olhar dentro de ti
(Friedrich Nietzsche)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

pascaliana

razão,
minha cara razão,
pelos poetas desprezada
em contraste
ao coração,
pelo imaginário
renegada
por não levar à ilusão,
pelas pessoas
ignorada
por não assistir
a emoção.
razão,
minha cara razão,
à ti
- e só à ti -
dedicarei meus sentidos
meus poemas
- que te livrarão
  do olvido -
e minha total
devoção.