sábado, 29 de novembro de 2014

bem mais que teu nome rabiscado na lista de compras
ou numa nota no jornal
no meu diário adolescente
no canal policial
pichado no muro do vizinho
pronunciado em lábios condescendentes
- feito dinheiro no caminho,
que se o encontra
ficas contente.
tu és bem mais que isso
és manhã de sol
precipício
luz e sombra
um vermelho no cachecol
palavra preferida
e saber teu nome,
querida,
é saciar a sede
matar a fome
ganhar a vida.
mas se acaso some
te esperarei eternamente
pois saber teu nome,
além de dádiva,
pra viver
me é suficiente

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ecoa em mim
o que não disse
como se assim
não existisse
como se por fim
do mapa sumisse
o homem
que conseguiu clonar uma ovelha
e copiar o mel
da abelha
jamais recriará o amor
- à flor da pele
  que esfria, aquece
  e se enche de dor -

o homem
que foi à lua
jamais saberá
o que a galinha e eu
fomos fazer do outro lado da rua

porque tudo que é amor
e segredo
não se recria
não se descobre

à menos que acorde
cedo
antes do nascer do sol
e veja a aurora
(que oscila
 entre os tons laranjas
 e amora)
e entenda
que não há nada a entender
e que a vida é agora

sábado, 8 de novembro de 2014

posso reunir
em uma pasta
tudo o que já escrevi
e vale menos que uma formiga
porque o papel
e as palavras
não me carregam
mas a inseta
- minha amiga -
suporta quarenta vezes
o seu peso,
enquanto a cigarra canta
e eu escrevo