domingo, 25 de janeiro de 2015

um passo
e já não estou no mesmo lugar.
quem sou eu para negar o espaço?
quem sou eu para me negar?
quem sou eu do que faço?
devo ou não me sujeitar
ao que sobra de um abraço
às voltas que o mundo dá?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

te parece absurdo
que eu me faça de surdo
ao gemido
mudo
da tua boca quente
que me roça a nuca
e desce pelo ouvido
- quando minha lingua fugaz
vai da tua clavícula
ao mamilo?
não estou a te ignorar,
meu bem,
ao contrário
vou muito mais além:
deito a cabeça no teu peito
e escuto a ondulação
do pulsar errado e direito
do teu coração
você disse não
disse que não é não
que amava outro
- um tal João -
e que tinha entregado à ele
beijos, lábios, seios
e até o coração.

eu te disse que sim
disse novamente que sim
disse que a vida não é assim
que suas carícias, boca e peitos
eram pra mim
- e só pra mim -
e que teu coração
cor de carmim
e cheirando alecrim
não poderia ser do tal João,

e que apesar de que ele coubesse no seu não
dispensasse o tal rapaz
já que o meu coração não seria de ninguém
e ninguém mais.
e você disse que não
que não era só o joão
que nosso caso tinha ido longe demais:

"pegue os restos do seu coração
vá cada um pro seu canto, então,
e soframos a nossa dor
em paz"

sábado, 3 de janeiro de 2015

o céu nublado
não mais me traz nostalgia
e o certo e o errado
não mais me dá agonia
alívio dourado
que brilha com o dia